Uma mulher no Rio de Janeiro foi alvo de um perfil falso no Orkut, cujo objetivo era rebaixar sua honra. A vítima noticiou o fato ao site, que depois de mais de 2 meses retirou o conteúdo do ar.
Indignada com os abalos psicológicos experimentados, ingressou com Ação de Reparação de Danos Morais. Em primeira instância, a Google (detentora do Orkut) foi condenada a indenização de R$ 20 mil. A Ré apelou da sentença, cujo provimento foi parcial, mas mantiveram a condenação por negligência, cuja indenização foi minorada para R$ 10 mil reais.
Importante destacar que os Tribunais Superiores Brasileiros já vinham sinalizando que as redes sociais (ex. Orkut, Twitter ou Facebook) não são responsáveis pelo que o usuário publica, mas se chamados a apagarem conteúdo que ofende a terceiros, e não responderem ao chamado, ou demorarem em fazê-lo, se tornam solidariamente responsáveis.
No caso em análise o Google levou mais de 2 meses para tomar medidas e atender ao pedido de exclusão do perfil falso. Este prazo foi considerado em demasiado lento pela Ministra Nancy Andrighi, relatora, que manteve a decisão do TJ/RJ.
A novidade desta decisão é que pela primeira vez o Tribunal Superior se manifestou pelo prazo em que a denúncia deve ser acolhida: 24 horas a contar da denúncia na rede social. E mais: Sugere que os provedores quando notificados, suspendam IMEDIATAMENTE a veiculação do conteúdo, e depois analisem se o denunciante tem ou não razão.
A justificativa é que o provedor deve ser enérgico no atendimento da denúncia, e que com o incremento massificado deste tipo relação social, é imperioso que o direito a honra seja rapidamente protegido.
O julgamento do STJ cria um precedente perigoso, pois este julgado pode e será usado como jurisprudência para outros tantos casos em trâmite no Brasil.
Evidente que mais de 60 dias para retirar um falso perfil é demasiado moroso, assim como 24 horas para que os provedores reajam é rápido em excesso. Tanto a conduta do Google quanto a decisão do STJ pecam por operar em extremos.
Infelizmente o país não conta com boa vontade política de votar o projeto de Lei Azeredo, cujo objetivo é regular a internet, mas se arrasta em discussões no Congresso desde o milênio passado.
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