Terminou de forma sigilosa o processo bilionário movido pela Burst.com contra a Apple. A Burst alegava que a Apple usava alguns de seus algoritmos patenteados no software do iPod, e para tal utilização exigia seu quinhão nos lucros.

Vejamos os números espantosos do iPod: A cada minuto são vendidos 100 peças dos diversos modelos por todo o mundo. Em 2008 serão mais de 52 milhões de iPods comercializados. Se tomarmos o valor médio de US$ 200,00 por aparelho, chegamos a razoável receita de pouco mais de US$ 10 bilhões só em 2008.

Durante uma das audiências, a Apple apresentou sua principal testemunha, Kane Kramer, atualmente um desempregado de 52 anos, que criou em 1979 um equipamento pouco maior que um cartão de crédito capaz de armazenar 2,5 minutos de música. Aumentar a capacidade de dados era uma questão de tempo, mas para infelicidade do Sr. Kramer, que patenteou a idéia e abriu uma empresa para aprimorar seu produto, na época batizado de “[X]”, não foi possível obter as 60 mil libras necessárias para renovar a patente, e em 1988 a criação entrou em domínio público.

Os desenhos do registro de 1979 do aparelho mostram de forma impressionante que o iPod não parece nada original.

criador-e-criatura

Com toda a sorte de documentos comprobatórios, criador e criatura diante da corte, a Apple se pronunciou, e argüiu como defesa que o produto caíra em domínio público em 1988, diante da não renovação da patente.

Restou um acordo extrajudicial que culminou com o encerramento do caso de forma sigilosa.

Entrevistado, o Sr. Kramer disse que não havia recebido nada da Apple para testemunhar, e que estava feliz pelo reconhecimento de que sua criação era um retumbante sucesso. Voltemos aos números: Se imaginarmos royalties de 5%, só em 2008 caberiam ao Sr. Kramer, mais de US$ 500 milhões, ou quase US$ 1,5 milhão por dia. Além de um gênio da informática, este ex-empresário que em 2007 vendeu sua única casa e hoje vive de aluguel, parece estranhamente desapegado ao dinheiro…

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